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Ex.mo Senhor
Presidente da Câmara Municipal,
Ex.mo Senhor Governador Civil,
Ex.mos Senhores Doadores,
Queridos Padrinhos,
Caros Sócios,
Senhoras e Senhores Convidados
Amigos de Timor-Leste!
Minhas Senhoras e meus Senhores
O evento que hoje aqui nos reúne constitui para a Tane Timor -
Associação Amparar Timor um marco importantíssimo da sua curta
história:
A Tane foi fundada em 6 Abril de 1998, por escritura pública
lavrada no Cartório Notarial de Santo Tirso, sendo seus fundadores
cinco jovens timorenses que em Portugal encontravam refúgio e
espaço para estudar e desenvolver a luta pela Pátria a que
aspiravam, jovens todos eles pertencentes à organização
clandestina RENETIL, Resistência Nacional dos Estudantes de
Timor-Leste, organização integrante da Frente de Luta contra o
invasor indonésio.
A Tane Timor, logo no acto da sua constituição, sediou-se nesta
cidade do Porto, na residência de família do único elemento
feminino do grupo, Maria de Lurdes Bessa, designada Presidente da
Associação.
Estatutariamente falando, ficaram consignados como objectivos da
Tane a divulgação e defesa dos direitos humanos e a preservação da
cultura de Timor-Leste.
Por essas alturas de 1998, a Associação funcionava, muito
naturalmente, como um grupo fechado em si mesmo – a repressão que
se vivia em Timor-Leste justificava todos os cuidados e não
permitia que se ignorasse a existência de um ou outro agente
indonésio a actuar em Portugal.
Mas se a Tane Timor era por essa época um grupo fechado – tão
fechado que só em Julho de 1999 começou a admitir os primeiros
sócios – tal não a impediu de ir realizando coisas. Assim,
· Fez a sua apresentação pública a 7 de Maio de 1999 com o
lançamento do livro “Loron Ida... Era Uma Vez... Once Upon a
Time...” escrito por dois dos seus dirigentes e editado pela AJP –
“Acção Jovem para a Paz”, cerimónia seguida de uma conferência
sobre a situação em Timor-Leste, com especial incidência no acordo
assinado dois dias antes em Nova York, reconhecendo o direito do
povo de Timor-Leste à autodeterminação.
· A 20 de Junho de 1999 lançou a Campanha “Liberdade para Xanana!
Liberdade para Timor!”, com várias iniciativas culturais e
desportivas e o lançamento de um postal que foi enviado ao
Secretário Geral das Nações Unidas, alertando para o facto de a
Consulta Popular agendada para Agosto só ser justa e democrática
se houvesse no território um clima de Paz, Segurança, Estabilidade
e Liberdade, Liberdade essa que tinha de passar pela libertação do
então Presidente do Conselho Nacional da Resistência Timorense,
Xanana Gusmão, bem como de todos os outros prisioneiros
timorenses.
· Já depois de ter começado a admitir sócios, a Tane esteve
activamente presente nas múltiplas manifestações que ocorreram no
Porto contra a sanha assassina e destruidora que se abateu sobre
Timor-Leste, depois da Consulta Popular realizada em 30 de Agosto
de 1999, na qual o povo maubere expressou inequivocamente o seu
desejo de independência.
*
A destruição que então assolou aquela que viria ser a primeira
nação do milénio e, ainda hoje, constitui a mais jovem nação do
mundo, levou a que os timorenses na diáspora se apressassem a
regressar aos braços da Mãe-Pátria. Entre os primeiros estiveram
os fundadores da Tane Timor que, muito simplesmente, se
perguntavam pelo destino a dar à Associação.
A 20 de Novembro de 1999, no Salão Paroquial da Pasteleira desta
cidade ocorreu um “encontro-festa” que serviu de despedida a dois
timorenses que estavam de regresso a casa: Padre Ximenes e Lurdes
Bessa.
Entendia esta que regressando os fundadores da Associação a
Timor, não se justificava a continuação da Tane.
Da mesma opinião não foram, porém, os sócios portugueses
presentes, que entenderam que a Tane devia continuar no Porto, a
ser o ouvido atento ao que os Timorenses solicitassem e que fosse
realizável. Também entendia a parte portuguesa que, se os
fundadores da Tane se constituíssem em associação em Timor-Leste,
ficariam de pé os pilares da ponte que todos desejávamos que
unisse Portugal a Timor-Leste.
Vencedora a tese portuguesa, logo ali na Pasteleira e em 20 de
Novembro de 1999, se constituiu o “Grupo Dinamizador da Tane",
visando dotar a associação dum ordenamento jurídico interno e de
órgãos sociais eleitos. Foi assim que se aprovou o Regulamento
Interno e que em 20 de Outubro de 2000 se elegeram os primeiros
órgãos sociais da Tane.
A sede, por essa época, situava-se num 2.º andar da Travessa de
Cedofeita desta cidade, em instalações degradadas e concebidas
para habitação.
Daí que se tenham encetado diligências em busca de novas
instalações para a sede, o que alcançou êxito com a celebração do
Protocolo da cedência deste espaço a 14 de Dezembro de 2001.
Seguiu-se a sua recuperação e restauro, pela Câmara Municipal do
Porto, através do CRUARB, os quais, aliás, ainda se não encontram
terminados.
Simultaneamente, não se descuravam realizações que fossem
consentâneas com os objectivos da Tane Timor - Associação Amparar
Timor. Assim, e para além de se constituir em retaguarda de apoio
a todos os timorenses que a procuravam,
· Foram realizados cursos de Tétum, Português e Inglês
· Estudantes timorenses visitaram escolas portuguesas, dando
testemunho da barbárie sofrida pelos timorenses e dando a conhecer
aspectos da cultura timorense, e
· A 19 e 20 e Maio de 2002, no Coliseu do Porto, a Tane Timor
celebrou a Independência de Timor-Leste com a realização de um
evento designado “Viva Timor Independente”, do qual constaram
exposições de fotografia e artesanato, a projecção do filme
realizado pela actriz brasileira Lucélia Santos “Timor Lorosae – O
Massacre que o mundo não viu”, culminando com um Concerto Musical,
onde actuaram a Brigada Victor Jara, o Grupo Timorense Ramelau e
Rui Veloso
· Em 6 de Setembro de 2002 é assinado o 1.º Protocolo de
Cooperação entre a Tane Timor - Associação Amparar Timor e a
Paróquia de S. João Bosco, no âmbito do qual e das suas
posteriores Adendas se foram apadrinhados 170 jovens órfãos de
guerra e/ou carenciados, dos Colégios dos Órfãos de Santa
Teresinha e de S. José de Baguia, tendo até agora sido
transferidos para Timor 32 492 Dólares (cerca de 6000 contos, à
razão de cerca de 650 contos mensais).
· Ainda em Setembro de 2002, a Tane Timor procedeu à recuperação
do 2.º andar da Travessa de Cedofeita, mobilou-o e entregou-o a
timorenses carenciados que aí ficaram a residir.
· Em Outubro de 2002 dá a sua adesão à Campanha lançada pelo
Cantor Popular Zé Mário Branco «Investir Nuns Olhos em Timor – o
Tomás Há-de Ver» conseguindo reunir 2 678 Euros e um
Apadrinhamento de 150 Euros mensais, válido por dois anos, quiçá
prorrogáveis.
· Em 2 de Outubro de 2002 seguem para Timor as primeiras 52 caixas
(cerca de 2 metros cúbicos) de livros em português no âmbito da
Campanha de Instalação de Bibliotecas de Português em Timor
· Em 6 de Dezembro de 2002 são eleitos novos corpos gerentes, em
que, pela primeira vez, se impôs a absoluta paridade entre
portugueses e timorenses; de facto, seis dos eleitos são
portugueses, os outros seis são timorenses e este que vos fala
acumula: - nasceu em Dili, mas é português, embora se sinta
timorense – mais que de nascimento, timorense de coração.
· Em Janeiro de 2003 seguiu para Timor-Leste uma segunda remessa
de mais 48 caixas que, mediam 3 metros cúbicos, cheias de
literatura infanto-juvenil e material didáctico e, já que falamos
de livros, damos conta de que
· Neste momento, encontram-se mais 38 caixas nos Armazéns do IPAD
– Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento do Ministério
dos Negócios Estrangeiros, à espera do navio que até ao final do
mês vai zarpar para as terras do Sol Nascente. Anoto que esta será
a primeira Remessa cujo frete marítimo não é suportado pela
Associação. Esclareço, ainda, que tal remessa mede cerca de 2,7
metros cúbicos, sendo que 33 caixas contêm literatura
infanto-juvenil e material didáctico e as cinco caixas restantes
contêm uma Biblioteca de Cardiologia destinada ao Hospital de
Baucau.
· Em Maio de 2003 dá início à construção da sua Página na
Internet, construção que continua, embora já seja possível a sua
visita pelo sítio: www.tanetimor.org
· Em Agosto de 2003, dois dirigentes da Tane Timor, de visita
particular a Timor-Leste, entregam ao Hospital de Baucau um
electrocardiógrafo portátil e respectivos acessórios.
De momento, a Tane Timor empenha-se, ainda e particularmente, em
dar maior dimensão a duas das campanhas já referidas:
· A Campanha de Apadrinhamento de Crianças Órfãs e Carenciadas,
procurando aumentar o número de crianças apadrinhadas, na
sequência de Protocolos celebrados com o Querido Padre João de
Deus Pires (*) e tentando arrancar com o apadrinhamento de Padiae
– Enclave de Oecussi, onde 32 crianças desesperam pela nossa ajuda
e
· A Campanha de Instalação de Bibliotecas de Língua Portuguesa em
Timor, procurando intensificá-la e diversifica-la
territorialmente.
· A Tane participa, ainda, no projecto promovido pela Fraternidade
Franciscana da Divina Providência:
“Uma Casa para o Enclave”.
e ambiciona poder ajudar a concretizar o sonho da referida
Fraternidade Franciscana, promovendo a reunião do capital
necessário à abertura de um furo artesiano que forneça água
potável a Padiae
Feita a súmula de algumas das realizações da Tane, impõe-se:
- Reconhecer, agora, que as mesmas só foram possíveis pelas
dádivas recebidas e pela generosidade do povo português,
particularmente visível quanto à causa timorense, e
- Agradecer penhoradamente a todas as pessoas e instituições que
nos ajudaram a conseguir esta sede, que hoje oficialmente
inauguramos, em especial, à Câmara Municipal do Porto pela sua
contribuição fundamental, na cedência e na recuperação, ainda que
incompleta, destas instalações
Finalmente, queremos agradecer a presença de todos, o que muito
nos honra e estimula na nossa caminhada.
A Tane que tem pretensões a ser um espaço de encontro entre
timorenses e portugueses, tendo em conta um passado comum e em
vista um futuro partilhado a construir, continua, pois !....
....E com ela todo um sonho de ver construir em Timor-Leste uma
sociedade em que os meninos não tenham de abafar o sofrimento mais
cruel e, assim, possam livremente gritar na alegria de viver !...
Mais uma vez, a todos o nosso muito obrigado.
PORTO, 10.10.2003
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